Cartas sem destino

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Terça-feira, 24 de Março de 2009

Deitar fora o passado

Imagem retirada de http://ferrus.blogs.sapo.pt/arquivo/cartas-020304-3.jpg

 

Naquela segunda-feira pela manhã, Isabella e Pilar acordaram cedo, preparam-se e agarraram no caixote das cartas e dirigiram-se ao ecoponto, estava na altura de deitarem as cartas fora e assim o fizeram ...

Decidiram ir tomar o pequeno-almoço a um café junto da praia e decidirem se realmente iriam mudar de apartamento ou não.

Acabaram por decidir que iriam fazê-lo, Pilar ligou logo ao senhorio a informá-lo que no final do mês se iriam mudar.

E começaram logo a planear a decoração da nova casa que ficaria por sua conta, tinham quase um mês para se entreterem com os móveis, cortinas, tapetes, edredons ...e nos seus tempos livres andavam tão atarefadas que se iam esquecendo do seu passado, das suas desilusões amorosas, de tudo ... a alegria tinha regressado àquela casa, as discussões emocionantes e empolgantes ...

Até que chegara o dia de entregar a chave ao senhorio e mudar para a nova casa.

 

publicado por Ennoea às 07:51
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Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Um jantar á luz das velas

 

(Imagem retirada da net)

 

O jantar decorreu num ambiente extremamente romântico, nada foi deixado ao acaso, desde a comida afrodisíaca até ao próprio ambiente na sala.  

A sala era iluminada simplesmente por velas, elegantemente dispostas por cima de castiçais antigos...

As sombras desenhavam-se por trás de Pilar e João.

Os olhos de ambos encontravam-se constantemente, não escondendo o desejo que sentiam um pelo outro.

Pilar estava indecisa com o rumo que toda esta situação poderia tomar.

Falaram pouco ao jantar, deixaram que o silêncio transcrevesse o que pensavam.

Á saída, João segurou as mãos dela entre as suas, Pilar deu um passo atrás, como se fosse fugir do beijo que ele se preparava para lhe roubar.

Beijaram-se apaixonadamente e sem querer Pilar sentiu-se embarcar numa viagem proibida. 

publicado por Raquel às 17:30
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

A curiosidade mata ?

 

 Seu olhar...

Foto retirada da net

 

Após essas recordações penosas para ambas, Pilar e Isabella dedicaram-se intensamente à sua profissão, era uma altura complicada  em que era necessários turnos mais intensos. Ambas andavam cansadas, extenuadas e ocupadas com uma formação que tinham de fazer , nem da tal caixa que continha vidas e vidas, passados, memórias, dores e alegrias , escondida no roupeiro ...

Assim, passarem quase duas semanas ... até que num feriado em que ambas se encontravam em casa à hora do pequeno-almoço Isabella se lembrou: 

- Amiga, acho que nos andamos a esquecer  de uma coisa?

- O que? - respondeu Pilar, que já nem se lembrava das cartas.

- Olha, vamos terminar de comer os cereais e depois vamos ler uma cartita, antes de irmos às compras... o que achas?- sugeriu Isabella.

- Pode ser ... tu e a tua curiosidade .... - disse Pilar.

Isabella despejou a tigela de cereais num instante e quando Pilar deu por ela já estava com a cara enfiada no dentro da caixa. Desde miúda sempre fora mais curiosa do que ela. Pilar tinha medo de tudo o que fosse novo ... lugares novos, amigos novos, desportos novos ... Isabella apesar de às vezes parecer mais frágil era uma curiosa nata ... metia o nariz em tudo o que era sítio, tinha uma lata enorme em fazer as perguntas mais absurdas ... mas verdade seja dita a curiosidade e a intrepidez de Isabella tinham resolvido alguns problemas que elas tinham passado.

Quando terminaram o curso decidiram fazer o Inter Rail ... mas para azar de ambas foram assaltadas em Berlim e Pilar entrou em pânico ... Isabella sem saber falar alemão, meteu conversa com uma senhora alemã que falava castelhano por acaso e tinha um amigo português. O senhor Santos, motorista de táxi, levou-as à embaixada , emprestou-lhes dinheiro e alojamento por duas noites em sua casa. A dona Maria das Dores, sua mulher, recebeu-as como filhas. Pilar morria de medo, mas Isabella só lhe dizia para não ter medo pois via-se que eram boas pessoas.

Por isso, Pilar já estava habituada a esta curiosidade de Isabella.

Lá apareceu Isabella com uma cartita na mão e o seu sorriso maroto ... gritando:

- Temos aqui uma ... nem vais acreditar ... é de uma mãe adolescente solteira ...

publicado por Ennoea às 21:11
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Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Menino homem...

 

 

menino feito homem

 

(Foto retirada da net)

 

Chegou o dia, que para nós começava a ser um ritual... o de abertura de mais uma carta.

Olhávamos uma para a outra...a ver quem seria desta vez a ler.

A Pilar não se fez de rogada...e agarrou num envelope que estava mesmo na parte de cima da caixa.

Abriu-o e como uma pena a flutuar, saiu lá de dentro uma foto.

Talvez fosse de quem a escrevia, era o mais certo, pensamos.

Eu fiquei a olha-la por uns segundos... contemplei aquele rosto, sem saber o que viria a seguir.

Pilar, colocou a voz, como andava a aprender nas suas aulas de canto, e começou :

 

 

 

Querida Mãe,

 

Desejo que ao receberes esta carta, o teu coração fique mais tranquilo.

Sai da casa do pai, tinhas razão, como sempre, já tinhas sido enganada por ele, e fez o mesmo comigo.

Quando comecei a trabalhar, correu tudo bem, durante os primeiros tempos.

Quando recebi o primeiro ordenado, ficou com metade, começou a ser rotina.

De inicio não reclamei, quis aproveitar para o conhecer melhor, foram tantos anos de ausência, de falta de convívio, tentei dar-lhe o beneficio da dúvida.

A situação manteve-se e tentei arranjar uma solução... mal eu sabia o que iria acontecer.

Falei com a companheira dele, houve uma grande discussão entre ambos e o pai pôs-me na rua.

Mãe, escrevo estas linhas a chorar, nunca pensei, que isto fosse possível...mas ajudou-me a crescer e a tornar-me no homem que hoje sou.

Durante algum tempo, dormi debaixo do carro dele, chegava do trabalho e adormecia, para de manhã me levantar bem cedo, antes que alguém saísse de casa.

Passei fome e frio, a noite de Natal desse ano, foi passada a pensar em ti e na nossa família, só assim consegui suportar o frio que fazia.

Conheci a Clara, os pais dela acolheram-me como a um filho, trataram de mim, das minhas feridas, as visíveis e as da alma.

Vamos casar brevemente, adorava que estivessem todos presentes.

Estou feliz Mãe, nunca me esqueci de ti , nem da nossa família.

Amo-vos a todos.

 

Com saudades,

 

 

João Ricardo

 

 

 

 

publicado por Raquel às 18:25
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